Todos nós sabemos que a meta
primordial no ataque do Karatê é vencer
o adversário. Mas vencer rapidamente. Logo
o golpe deve ser certo e não mais do que
um. É esta a diferença entre os golpes
de Karatê (atemi) e o de outras lutas. E nesta
situação procuramos causar uma lesão
interna. Sabemos que muitos nos chamarão
de vários significados pelas exteriorizações
acima ditas, mas se não o fizéssemos,
estaríamos enganando quem nos lê, pois
antes de tudo esta é uma arte de guerra,
e somente desta maneira, ou melhor, com esta mentalidade
de combater pela vida é que alguns conseguirão
aquele estado de espírito pacífico,
pois terão ultrapassado o estado primário
comum ao noviço e trilharão o caminho
do Karatê verdadeiro, onde o amor pelo adversário,
a bondade e a compreensão, tomam o lugar
da vontade de ferir ou matar. Nada disso conseguiremos
se não tivermos passado pelas provas físicas
cruéis do início, que nos fizeram
(por nós mesmos) ver, sentir e julgar nossas
atitudes subseqüentes e nossos caminhos a trilhar.
Esta arte não é o final de tudo, mas,
um meio para melhorar. E como para tudo é
necessário aprendizado e técnica,
para o Atemi, ou melhor, para o alvo ao qual se
propõe o Atemi (ate: golpe - mi: corpo),
que é de tirar fora de combate o adversário,
fazem parte inúmeras condições
na técnica de bater:
1º Podemos
utilizar um verdadeiro arsenal, que é o nosso
corpo humano. Sendo que estas armas são naturais!
2º Batermos
com qualquer superfície pequena para concentrarmos
a energia liberada pelo corpo no sentido de um ponto
por nós atacado, sendo o efeito maior no
impacto.
3º
Sabemos que a velocidade da massa em movimento aumenta,
proporcionalmente, à força desenvolvida
na hora do choque e por isso aprendemos a bater
com velocidade máxima. Da mesma forma aprendemos
que a massa é bem menos importante do que
a velocidade.
4º
Aprendemos a visualizar com precisão e possibilidade
os pontos vitais do adversário que nos parecem
vulneráveis ao menos que isto seja impossível,
o impacto será rápido. Mesmo com a
adversidade, podemos bater em qualquer parte obtendo
os mesmos resultados em vista de um treinamento
profundo e bem organizado.
5º
Batemos com tudo de nosso corpo, participando do
ato e não somente os membros em especial.
Rejeitamos a onda de volta, provocada pelo impacto,
forçando- a de volta para o adversário.
Mas poderíamos falar se quiséssemos
nos fixar em outros atemis que existem e variam,
seja na maneira de bater ou no ponto visado. Aquele
que é percuciante, salta após o impacto.
Ou aquele outro que penetra e desequilibra. Em cada
golpe do corpo devemos ter a impressão de
ser a única maneira de vencermos e nele devemos
pôr toda a nossa reserva de energia. Devemos,
mesmo, criar aquela imagem, de que é a última
chance que temos de vencer. Procedendo assim, chegaremos
a produzir aquela energia física e mental
peculiar aos que praticam a "verdadeira arte".
Concluímos,
pois, que sem nossa dedicação e, antes
de tudo, o espírito em função
desta arte somente sofreremos sérias desilusões
e o Karatê, por nós praticado, não
passará de meros movimentos feitos no sentido
do nada.