Utiná Press – Ano 09 - Ed.104 – Dezembro/2006
Yonamine sensei é aplaudido de pé em Campeonato na Romênia


O mestre de karatê, Yasunori Yonamine (9º dan) ministrou um curso para árbitros e técnicos que participavam do Campeonato Mundial de Karatê para crianças e jovens do WUKO (World Union Karate-do Organization), realizado nos dias 18 e 19 de outubro de 2006, em Cluj Napoca, Romênia.
Este campeonato, que é realizado a cada dois anos em um país diferente (o próximo será em 2008, na Itália), engloba todos os estilos de karate oficiais, o Go-ju Ryu, Wado Ryu, Shito Ryu e Shotokan, e teve a participação de vários países do mundo como: Brasil, Ucrânia, Romênia, Itália, Portugal, Palestina, Índia, Argentina, Chile, Espanha, Bélgica, Irlanda, Rússia, Suécia, Eslovênia, Hungria, África do Sul, entre outros.
O “World Karate Championships for Children, Cadets and Juniors” contou com a participação de nada menos que 1.140 inscritos e 61 equipes de kata (golpes) e kumite (luta), quase batendo o recorde mundial, sendo que muitos participantes não puderam se apresentar por não conseguirem tirar o visto.
Além de Yonamine sensei, que é mestre, 9º dan, estilo Go-ju Ryu, participaram do seminário e palestras, o sensei Kando Shibamori, 7ºdan, estilo Wado Ryu, Sei Iwasa, 7º dan, estilo Shito Ryu e Sean Henke, 6º dan, estilo Shotokan. Segundo a comissão organizadora, estes seminários serviram para que todos os participantes tivessem suas técnicas melhoradas.
Yonamine sensei conta que foi a primeira vez que foi convidado a ministrar um curso para este evento e se sentiu muito feliz em representar Okinawa num evento internacional de grande porte, pois é o único uchinanchu árbitro da WKF (Federação Mundial de Karate) e palestrante reconhecido internacionalmente.
Ele conta que ao receber o convite para participar como professor, se sentiu muito honrado e quis mostrar ao mundo o verdadeiro karate de Okinawa. “Foram dois dias de aula. No primeiro dia, havia cerca de 70 árbitros de vários países do mundo. A sua maioria, porém, havia aprendido a arbitrar através de aulas de vídeo. Quando se aprende através de vídeo, não há ‘kokoro’(sentimento), fica parecendo uma dança”. Já no segundo dia, ficou emocionado, pois durante a sua apresentação de kata foi aplaudido de pé por todos os presentes no estádio.
Este episódio o deixou muito feliz, pois quando recebeu o convite, Yonamine sensei conta que o primeiro pensamento foi: “Não posso fazer feio, pois não há outro mestre e árbitro uchinanchu a participar de eventos mundiais (apesar de ainda existir ‘gran masters’ (grandes mestres) em Okinawa, nenhum deles porém, participam destes campeonatos. Não posso envergonhar o karate de Okinawa, pois se fizer uma má apresentação eles podem dizer: ‘ah, como o karate de Okinawa é ruim!’. Por isso treinei muito. Fazia muito frio na Romênia, a temperatura chegava a 2º C negativos, e mesmo assim eu treinava no corredor do hotel. Depois de dois dias ministrando aulas, fiz a apresentação e todos se levantaram para aplaudir. Fiquei muito contente com o resultado, pois consegui demonstrar diante de vários países do mundo o karate de Okinawa” . Depois de apresentar-se pôde, enfim, tranqüilizar-se; pois não “envergonhou” o karate de sua terra natal. Sentiu a sensação de dever cumprido, afinal, mostrou ao mundo o verdadeiro karate de Okinawa e sentiu-se orgulhoso, não por vaidade, e sim por demonstrar que a arte do karate ainda resiste, apesar de muitos desconhecerem seu verdadeiro espírito.
Esta preocupação em não “envergonhar” Okinawa também se deve ao fato dele ter nascido lá.
Yonamine sensei conta que tem muito orgulho de ter nascido e sido criado em Okinawa. “Apesar de ter vivido uma vida sofrida lá, não tendo nada para comer, só batata-doce cozida, de manhã, de tarde e de noite; sinto orgulho de ter nascido lá, pois aprendi a comer de tudo, a dar valor às coisas. Quando se come algo ruim, tudo fica gostoso depois”, conta ele em tom bem humorado.