Continuação:
Utiná Press – Ano 09 - Ed.105
–Janeiro/2007
Mestre Yasunori Yonamine, uma vida dedicada ao Karatê
de Okinawa
Yonamine sensei conta
que tem muito orgulho de ter nascido em Okinawa.
Ele conta que antigamente, a principal característica
de Okinawa era a compaixão, a retidão,
a solidariedade. Valores que foram se perdendo com
o tempo. Mesmo assim, diz que tendo levado uma vida
sofrida em Okinawa, comendo apenas batata-doce com
sal, crescendo em meio à dificuldade, se
orgulha de ter nascido lá, pois acredita
que isto ajudou a fortalecer seu espírito,
a enfrentar qualquer problema. “Os uchinanchus
que imigraram para o Brasil, vieram numa época
em que não se tinha nada para comer. Meu
sonho, quando vim para o Brasil, era comer carne,
bastante carne. Hoje em dia, há de tudo;
mesmo no Japão, é fácil encontrar
carne ou outra coisa para se comer. Talvez se eu
tivesse nascido agora, não seria o que sou
hoje.”
Um dos episódios que demonstra o seu orgulho
em ter nascido em Okinawa, foi no final dos anos
90, época em que era membro do Conselho Panamericano
de Árbitros de Karate. Para presidi-lo teria
que se naturalizar brasileiro, pois havia muitos
membros que não aceitavam ser presididos
por um japonês. Ele conta que até pensou
na possibilidade de naturalizar-se para assumir
o cargo, mas em seu íntimo não queria
desfazer-se de sua nacionalidade. “Sempre
tive orgulho de ser uchinanchu, de ser japonês.
Tudo o que eu tinha feito até então
foi como japonês, tanto na vida como no karate.
Lutei até aqui como nihonjin, então
não podia jogar tudo para o alto por causa
de um cargo que me traria orgulho, mas que no fundo
me arrependeria, que não me perdoaria por
ter feito depois; por isso, desliguei-me do conselho”
– não demonstrando qualquer arrependimento
por não ter-se naturalizado brasileiro.
A mensagem que Yonamine sensei deixa aos jovens
é para que busquem a essência das coisas,
não somente o passado, mas sim a raiz, o
porquê das coisas. “Quem pratica o Budo
(caminho, espírito dos antigo samurais),
procura saber o significado das coisas, não
somente o passado. Não é somente imitar
as pessoas, é pensar por si próprio,
estudando, refletindo, indo até o fundo,
procurando a raiz das coisas”.
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