Utiná Press – Ano 09 - Ed.105 –Janeiro/2007
Mestre Yasunori Yonamine, uma vida dedicada ao Karatê de Okinawa


Na edição passada, publicamos uma matéria a respeito do Campeonato Mundial de Karate para crianças e jovens do WUKO (World Union Karate-do Organization), realizado na Romênia, em que o Mestre de Karate, Yasunori Yonamine (9º dan), foi aplaudido de pé por todos os presentes.
Yonamine sensei possui um currículo extenso nesta arte milenar, pois há mais de 40 anos dedica-se à divulgação e à preservação do verdadeiro karate de Okinawa.
Nascido em Nishihara-cho (Okinawa) em 1940, veio ao Brasil aos 20 anos. Casou-se com Helena Wauke Yonamine, com quem teve cinco filhos: Kunihiko, Hatsumi, Yumi, Naomi e Yuka, todos graduados no karate (faixa preta), “todos atletas da seleção brasileira de karate” – diz ele, orgulhoso. Outro orgulho que Yonamine sensei deixou transparecer foi o do primeiro dos quatro netos, de 17 anos, que entrou na USP (Universidade de São Paulo) no curso de Odontologia.
Aos 66 anos de idade, ele ainda mostra vigor e disposição, apesar de dizer que não tem a mesma capacidade de quando era jovem.
Dono de um currículo invejável, foi convidado especial em eventos como: Kokutai Okinawa, em 1987, Jogos Olímpicos do Japão, Campeonato Nacional do Japão, em 1995; Campeonato Mundial em Okinawa, em 1997, Campeonato Mundial na Romênia, em 2006, entre outros. Yonamine sensei é reconhecido internacionalmente, tanto que na década de 80, foi convidado a prestar assessoria aos atores do filme Karate Kid e ao ator norte-americano Chuck Norris. Além disso, também lecionou karate (estilo Goju Ryu) no Brasil, Chile, Portugal, Argentina, Suriname, Canadá e Estados Unidos. Ele conta que nesses mais de 40 anos de carreira, já lecionou para mais de 40 mil alunos. Também recebeu uma homenagem do governo japonês pelos “bons serviços prestados na promoção da Arte Marcial Japonesa pelo mundo”.
Em 1990, tornou-se árbitro mundial em kumi (luta) e em 1992 tornou-se árbitro em kata (golpes), na Espanha. Foi membro do Conselho Panamericano de Árbitros da PKF (Federação Panamericana de Karate). Atualmente não atua mais como árbitro, dedicando-se somente a lecionar karate.
Com vasta experiência, ele comenta que: “o mais importante no karate é fortalecer o próprio espírito, suportando qualquer tipo de sofrimento, qualquer obstáculo. Infelizmente isto está se acabando... Percebo isto na educação. Por exemplo, dentro do meu dojo, ensino aos alunos a dizer, ao iniciar a luta, “onegaishimasu” (por favor) ; “arigatô” (obrigado) ao encerrá-la. Há mais de 40 anos lecionando, meus antigos alunos até hoje preservam este costume. Não é porque é na minha academia, mas sim no dojo onde também se preparam o espírito. É preciso ter respeito para com o adversário. Sem cortesia (educação) não se consegue o respeito. Se algum aluno se machuca, se pisa no pé do outro, faço pedir desculpas na hora. Ensino isto aos alunos, pois se houver encrenca depois, é perigoso. São coisas lógicas, normais; mas que hoje em dia, apesar de “atarimae” (lógicas) ficaram difíceis de ensinar. Vejo em muitas academias que não existe o respeito para com os mais velhos. Uma vez um aluno começou a treinar, se cansou e ficou sentado no chão Quando o professor foi chamar sua atenção, a mãe do aluno foi brigar com o professor, na frente do aluno. Muitas academias hoje em dia se parecem com clubes, onde não se tem a obrigação de ensinar o respeito às regras, a boa educação. Aqui ensino meus alunos a sempre respeitarem o companheiro. Se brigar lá fora, não o deixo freqüentar o “dojo”. Se também for mal na escola, mando ir embora para casa; pois não se pode deixar a criança só pensar em karate e ir mal nos estudos.

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